Quem é Estela Aranha, ministra do TSE que decidiu sobre regras do debate da Globo
Magistrada proibiu a emissora de exibir púlpito vazio de Lula e de direcionar perguntas ao candidato ausente; decisão ocorreu poucas horas antes do cancelamento do programa
A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ganhou destaque nesta quinta-feira (1º) ao determinar mudanças nas regras do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo. A magistrada proibiu que a emissora exibisse um púlpito vazio identificado com o nome do presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia informado que não compareceria, e também impediu que os demais participantes dirigissem perguntas a ele durante o programa.
A decisão ocorreu antes do cancelamento do debate, que estava previsto para 21h30min. Mais tarde, outra determinação judicial, desta vez relacionada à participação de Renan Santos (Missão), também interferiu na composição prevista para o encontro. Após a decisão de Estela Aranha, Flávio Bolsonaro (PL) informou que não participaria e classificou a medida como “censura”, avaliação atribuída ao próprio candidato e contestada por outros atores no debate público.
Estela Aranha tem trajetória profissional ligada especialmente às áreas de Direito Digital, proteção de dados e inteligência artificial. Antes de integrar o TSE, exerceu funções no governo federal e no sistema de Justiça. Sua atuação na Corte Eleitoral também inclui decisões sobre propaganda e desinformação: em junho deste ano, por exemplo, ela determinou a retirada de publicações que associavam Flávio Bolsonaro a facções criminosas sem elementos concretos que sustentassem a acusação, decisão posteriormente submetida ao plenário do tribunal.
A ministra tomou posse no TSE em 1º de agosto de 2025, após indicação para uma das cadeiras da Corte. Nas Eleições 2026, integra o grupo de ministros responsáveis por analisar processos relacionados à apuração dos resultados, tendo sido sorteada como relatora para recursos envolvendo Minas Gerais, Mato Grosso, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. A atuação de Estela Aranha ocorre em um momento de intensa judicialização das regras eleitorais nos dias que antecedem o primeiro turno, marcado para domingo (4).
