Quatro em cada dez brasileiros nunca ouviram falar em economia circular
Pesquisa mostra que 39% da população desconhece o conceito, enquanto 74% dos entrevistados afirmam estar dispostos a mudar hábitos de consumo para gerar menos resíduos
Quatro em cada dez brasileiros, o equivalente a 39% da população, nunca ouviram falar em economia circular, segundo pesquisa encomendada pelo Movimento Plástico Transforma ao Instituto QualiBest. O levantamento foi divulgado no domingo, 5 de julho, pela Agência Brasil.
Embora o tema já tenha chegado a 57% dos entrevistados, o conhecimento ainda é considerado superficial. Desse total, apenas 12% afirmaram conhecer bem o conceito, enquanto 45% disseram já ter ouvido falar, mas sem saber detalhes.
A economia circular é baseada na reutilização, recuperação e reinserção de recursos no ciclo produtivo, buscando reduzir o descarte e ampliar o aproveitamento de materiais. O modelo é visto como alternativa à produção linear, em que os produtos são usados uma vez e descartados.
Para Beatriz Geraldes, integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, o principal desafio é aprofundar o conhecimento da população sobre o tema. Segundo ela, escolas, governos, empresas e organizações sociais devem atuar em conjunto, especialmente com foco em crianças e adolescentes, considerados importantes multiplicadores de informação dentro das famílias e comunidades.
A pesquisa Reciclagem no Brasil: hábitos, desafios e percepções da população ouviu 834 pessoas com 18 anos ou mais, entre quinta-feira, 30 de abril, e sexta-feira, 8 de maio. Os dados também foram comparados à primeira edição do estudo, realizada em 2025.
O levantamento apontou ainda que 74% dos entrevistados declararam estar dispostos a mudar hábitos de consumo para gerar menos resíduos. Outros 23% afirmaram não ter disposição para essa mudança, enquanto 3% disseram que talvez mudariam.
A reciclagem foi considerada uma responsabilidade compartilhada. Para os entrevistados, a população aparece como a principal responsável, com 78% das citações, seguida pelo governo, com 63%, e pelas empresas, com 55%.
Na comparação com 2025, aumentou a cobrança sobre todos os setores. A responsabilização da população cresceu três pontos percentuais, enquanto a cobrança sobre o governo subiu quatro pontos e sobre as empresas avançou seis pontos percentuais.
O estudo também abordou a logística reversa, prática que consiste na devolução de produtos ao fabricante após o fim de seu ciclo de uso, para que possam ser reinseridos na cadeia produtiva. Segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados já devolveram algum produto ao menos uma vez, e 14% afirmaram fazer isso com frequência.
Outro dado apontado pelo levantamento é que 55% das pessoas têm acesso à coleta seletiva em casa ou na rua. Entre os que separam resíduos, mas não levam aos pontos de coleta, 63% entregam recicláveis e orgânicos juntos ao caminhão de coleta, enquanto 36% entregam o material separado aos catadores.
A confiança no processo de reciclagem também aparece em alta. Mais da metade dos entrevistados, 54%, afirmou acreditar que os resíduos separados são efetivamente reciclados. Apenas 6% declararam não confiar no processo.
Para Marlene Treuk, gerente de pesquisa do Instituto QualiBest, os dados mostram que, apesar da necessidade de ampliar o conhecimento sobre economia circular, já existe uma transformação em curso nas práticas da população, com maior percepção sobre a importância da reciclagem e disposição para adotar comportamentos mais sustentáveis.
Fonte: Agência Brasil.
