A elevação dos rios das Antas e Carreiro deixou pontes submersas, interrompeu importantes ligações regionais e levou à retirada preventiva de moradores de duas casas em Cotiporã nesta quarta-feira (22). Equipes da Defesa Civil e das secretarias municipais permanecem mobilizadas para monitorar as diferentes regiões do município e realizar intervenções em estradas e acessos atingidos pela chuva.

A ponte da RS-431 sobre o Rio das Antas, entre Cotiporã e Bento Gonçalves, está completamente submersa. A estrutura sobre o Rio Carreiro, que conecta o município à região de Dois Lajeados e Guaporé, também foi coberta pela água e sofreu avarias principalmente em uma das cabeceiras.

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Segundo o prefeito José Carlos Breda, o nível dos dois rios começou a apresentar estabilidade ou redução lenta durante a tarde, mas ainda não há condições de liberar as travessias.

— As equipes estão todas em ação. Deslocamos pelo menos uma máquina e um operador para cada região do município, fazendo o monitoramento e as intervenções necessárias. Com exceção das pontes dos rios das Antas e Carreiro, até agora tivemos ocorrências menores — afirma.

Duas casas foram evacuadas por segurança

Duas residências localizadas próximas ao Rio das Antas tiveram uma pequena entrada de água e foram evacuadas preventivamente. Conforme o prefeito, a retirada ocorreu pela proximidade das casas com o rio e pelo risco de uma nova elevação.

Uma residência também foi levada pela correnteza na margem do Rio das Antas pertencente a Bento Gonçalves, abaixo da ponte da RS-431. Breda afirma que, pelas informações recebidas, o imóvel estava desocupado no momento em que foi arrastado.

Até a tarde desta quarta-feira, não havia registro de pessoas feridas, grandes deslizamentos ou outras pontes levadas pela força da água no território de Cotiporã. A ponte Adélio Piccoli, inaugurada em maio na comunidade da Zona Piccoli, suportou a elevação do Rio Vicente Rosa e permaneceu em condições de passagem.

Município tem ligações regionais interrompidas

Com as duas principais pontes submersas, os deslocamentos entre Cotiporã, Bento Gonçalves, Dois Lajeados, Guaporé e o Vale do Taquari foram afetados. A alternativa disponível para sair do município em direção à região de Bento Gonçalves e Porto Alegre é o trajeto por Veranópolis, utilizando a BR-470.

— Cotiporã tornou-se um ponto estratégico para a logística regional. Essas pontes fazem a ligação entre a RS-359, a RS-431 e a RS-129. Quando as travessias são interrompidas, o impacto não fica restrito ao município — explica Breda.

Conforme a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, o acumulado de chuva em Cotiporã chegou a 93 milímetros em 24h. O maior impacto nos rios, porém, ocorreu por causa da água que desceu de municípios localizados nas cabeceiras das bacias, como Paraí, Nova Bassano, Cambará do Sul e Bom Jesus.

Equipes foram distribuídas pelo interior

A atuação desta quarta-feira seguiu um planejamento elaborado pela Defesa Civil após os eventos climáticos dos últimos anos. Cinco operadores, acompanhados de máquinas, foram direcionados a diferentes regiões do interior, enquanto outra equipe ficou responsável por reunir informações e repassá-las ao gabinete municipal.

— O que me chamou atenção durante a madrugada foi que cada um sabia o que precisava fazer. A distribuição das equipes já estava mapeada e o trabalho fluiu muito bem — relata o prefeito.

Cotiporã também foi contemplada recentemente com R$ 200 mil do Governo do Estado para reforçar a estrutura da Defesa Civil. O município prepara a compra de geradores, radiocomunicadores e outros equipamentos.

Entre as obras previstas para ampliar a resistência da infraestrutura estão uma contenção próxima à ponte sobre o Rio Carreiro, estimada em R$ 3,2 milhões, e uma intervenção na Ponte Alta, na ligação com Fagundes Varela, orçada em R$ 2,5 milhões. Segundo Breda, os projetos aguardam a liberação dos recursos após o período eleitoral.