Justiça mantém prisão de Daniel Vorcaro e cunhado após audiência de custódia em São Paulo
Banqueiro do Banco Master foi transferido para presídio estadual em Guarulhos após decisão judicial durante operação que investiga fraude bilionária
A Justiça Federal em São Paulo manteve nesta quarta-feira, 4 de março, a prisão do banqueiro e empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e determinou que ele seja encaminhado diretamente ao sistema prisional estadual.
Após ser preso pela manhã e levado à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, passaram por audiência de custódia na Justiça Federal, procedimento que avalia a legalidade da prisão e possíveis irregularidades durante a detenção.
Por volta das 14h, os dois deixaram a sede da Polícia Federal em uma viatura descaracterizada e foram conduzidos ao tribunal. Durante a audiência, o juiz também verificou se houve sinais de tortura ou maus-tratos, prática padrão nesse tipo de procedimento.
A sessão terminou por volta das 16h, quando o magistrado decidiu manter a prisão preventiva de ambos. Em seguida, os investigados foram encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
A transferência de Vorcaro para um presídio estadual ocorreu por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a um pedido da Polícia Federal. Segundo a corporação, as instalações da superintendência da PF na capital paulista não possuem estrutura para manter presos preventivamente, funcionando apenas como unidade de trânsito de detentos.
Operação Compliance Zero investiga fraude bilionária
As prisões ocorreram durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, invasão de dispositivos informáticos e um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos.
De acordo com as investigações, o esquema teria provocado um rombo de até R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores em casos de problemas financeiros em instituições bancárias.
No ano passado, Vorcaro já havia sido alvo de mandado de prisão, mas obteve liberdade provisória mediante o uso de tornozeleira eletrônica.
A nova prisão foi fundamentada em mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido durante a primeira fase da operação. Segundo a Polícia Federal, os conteúdos indicariam ameaças a jornalistas e a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.
Defesa nega acusações
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e colaborou com as investigações. Os advogados também negaram as acusações de intimidação apontadas pela Polícia Federal.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, disseram os advogados.
A defesa de Fabiano Zettel também informou que o cliente já se apresentou à Polícia Federal e está inteiramente à disposição das autoridades durante o andamento das investigações.
