O governo de Luiz Inácio Lula da Silva decidiu acelerar a tramitação do projeto que extingue a jornada de trabalho 6×1, buscando consolidar a medida como uma das principais bandeiras da gestão petista. O Palácio do Planalto planeja enviar a proposta já na próxima semana sob regime de urgência constitucional, o que obriga o Congresso a analisar o texto em até 45 dias. A estratégia visa evitar que o debate seja esvaziado pelo calendário das eleições de 2026 e assegurar três pontos inegociáveis: a jornada de 40 horas semanais, o direito a duas folgas por semana e a manutenção integral dos salários.

A iniciativa, articulada pelo ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, e pelo Ministério do Trabalho, gera um embate direto com a cúpula da Câmara. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), defende que o tema seja tratado via Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que já tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Parlamentares aliados a Motta interpretam o envio de um projeto de lei pelo Executivo como um “enfrentamento desnecessário” ao Legislativo, alegando que o rito de PEC é o caminho jurídico adequado para a complexidade da matéria.

Apesar das resistências na Câmara, o governo aposta no forte apelo popular da medida para pressionar os parlamentares. Aliados comparam a relevância do fim da escala 6×1 à proposta de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil. Enquanto o relator da PEC na CCJ, Paulo Azi (União-BA), afirma que o tema exige cautela e tempo para discussão, o Planalto utiliza o dispositivo de urgência para forçar uma definição rápida, tentando garantir que a nova jornada de trabalho entre em vigor ainda este ano.