A decisão de apoiar a pré-candidatura de Juliana Brizola, do PDT, ao governo do Rio Grande do Sul não partiu apenas da direção nacional do Partido dos Trabalhadores, mas contou com atuação decisiva de lideranças estaduais. Nos bastidores, integrantes da sigla reconhecem que a divisão interna entre correntes do partido foi determinante para a mudança de rumo, resultando na substituição da candidatura própria de Edegar Pretto pela formação de uma aliança eleitoral.

Entre os principais articuladores da estratégia está o grupo ligado ao deputado federal Paulo Pimenta, pré-candidato ao Senado, que defendeu a união com o PDT como forma de ampliar as chances de conquistar uma vaga na Câmara Alta. A avaliação desse setor é de que abrir mão da cabeça de chapa poderia fortalecer a campanha ao Senado e permitir um posicionamento político mais amplo, voltado também ao eleitorado de centro.

O movimento, porém, aprofundou divergências dentro do partido, com correntes importantes defendendo a manutenção da candidatura própria. A tendência é que a intervenção partidária provoque um racha interno, dividindo o PT gaúcho entre aqueles que devem apoiar a campanha de Juliana Brizola e outros que podem se afastar da mobilização eleitoral ou buscar alternativas políticas na disputa estadual.