“A vida segue: não há motivo para terror”, afirma Delegado Tiago Baldin sobre recentes execuções em Veranópolis
Uma semana após os episódios de violência que quebraram a rotina de Veranópolis, o titular da Delegacia de Polícia Civil, Delegado Tiago Madalosso Baldin, concedeu uma entrevista detalhada à Studio para esclarecer o andamento das investigações. O cenário descrito é de uma disputa interna por poder e hegemonia dentro do crime organizado, tratada pela polícia com o rigor técnico necessário para garantir condenações robustas no Judiciário.
A anatomia das execuções: Planejamento e alto poder de fogo
O primeiro crime, ocorrido na manhã de 15 de abril na rua Ernesto Alves, foi classificado pelo delegado como uma execução primária voltada ao domínio de território. A vítima, um homem de 34 anos com um extenso histórico criminal — incluindo lavagem de dinheiro e organização criminosa —, era considerada a figura mais importante do tráfico local.
Os detalhes técnicos revelam a brutalidade da ação:
- Armamento: Foram utilizadas armas curtas e longas de calibre 9mm, com seletores de rajada (automáticas), algo que o delegado classificou como incomum em armas menores, mas presente na dinâmica criminosa atual.
- Volume de disparos: Foram efetuados mais de 100 disparos, dos quais 52 atingiram a vítima à queima-roupa.
- Logística: Os criminosos utilizaram um veículo furtado em Dois Irmãos no início de abril, incendiando-o logo após o crime para apagar vestígios e dificultar a perícia. Um segundo carro já aguardava a equipe para a fuga.
A segunda morte, ocorrida no dia seguinte (16 de abril) no bairro Santo Antônio, foi uma “resposta natural” dentro da lógica das facções. A vítima, também um traficante conhecido, foi alvejada por mais de 20 disparos dentro de seu carro ao sair de casa. Embora conhecido no meio policial, ele ocupava uma posição hierárquica inferior à primeira vítima.
O progresso da Polícia Judiciária e prisões
O Delegado Baldin enfatizou que o foco da Polícia Civil não é apenas realizar prisões pontuais, mas construir um inquérito com provas técnicas inquestionáveis, como quebra de sigilo telefônico, coleta de imagens e testemunhos.
Até o momento, um avanço significativo foi registrado: um suspeito preso pela Brigada Militar na última sexta-feira (por tráfico e porte de arma) portava um armamento que, segundo indícios, pode ser o mesmo utilizado no homicídio de quinta-feira. “Temos bem avançadas as investigações quanto ao segundo homicídio”, afirmou o delegado, notando que o primeiro caso é mais complexo devido à importância da vítima e ao modo de atuação dos executores.
O fenômeno das Fake News e o reforço no policiamento
Após os crimes, a cidade foi inundada por notícias falsas sobre novos tiroteios. Segundo Baldin, essas informações foram geradas tanto por indivíduos em busca de atenção quanto pela própria organização criminosa para tentar desviar o foco policial.
O efeito, porém, foi o oposto do pretendido pelos criminosos: a segurança pública reagiu com uma saturação de efetivo. Atualmente, Veranópolis conta com um reforço de policiais civis e militares além do contingente ordinário. Esse esforço já rendeu frutos na região, como prisões e apreensões de drogas, armas e coletes balísticos em Nova Prata.
Segurança Pública e vida cotidiana
Ciente do temor da comunidade, Baldin, que também é morador da cidade e pai, fez questão de separar os fatos da vida comum dos crimes passionais ou casuais. Ele reiterou que as mortes foram alvos pré-determinados e planejados dentro do submundo do crime, sem intenção de atingir cidadãos comuns ou trabalhadores.
“A vida segue. Não há motivo para se instaurar qualquer tipo de terror”, declarou, assegurando que as escolas e o comércio devem manter sua rotina normal. O delegado encerrou a entrevista prometendo total transparência: assim que os inquéritos forem concluídos, os detalhes finais sobre a autoria e a motivação (se entre facções rivais ou disputa interna) serão apresentados à imprensa e à sociedade.
