Bolsa brasileira fecha com queda de 13,88%, a maior desde 2020, após reeleição de Lula
Ibovespa encerrou a segunda-feira aos 176,6 mil pontos, enquanto o dólar disparou 8,21% e chegou a R$ 5,40; negociações precisaram ser interrompidas durante o pregão.
A Bolsa de Valores brasileira (B3) encerrou esta segunda-feira (26) com uma das maiores quedas de sua história recente, em meio à reação do mercado financeiro ao resultado do segundo turno das eleições presidenciais. O Ibovespa despencou 13,88%, fechando aos 176.608,23 pontos, no pior desempenho diário desde março de 2020, quando os mercados foram afetados pelo início da pandemia de Covid-19. A movimentação ocorreu após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25).
A instabilidade começou logo na abertura das negociações, quando o índice registrou uma queda de 10%, levando a B3 a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as operações para conter movimentos extremos do mercado. As negociações ficaram interrompidas por 30 minutos, na primeira utilização do dispositivo desde 2020. Ao longo do dia, o Ibovespa chegou a recuar 17,34%, atingindo a mínima de 169.516,43 pontos, antes de recuperar parte das perdas no encerramento.
O mercado de câmbio também registrou forte turbulência. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,4027, com valorização de 8,21%, na maior alta diária da moeda norte-americana frente ao real desde janeiro de 1999. Durante a sessão, a cotação chegou a superar R$ 5,60. Entre as ações mais afetadas, os papéis ordinários do Banco do Brasil recuaram 29,33%, enquanto as ações preferenciais da Petrobras perderam 8,18%. Na contramão, a Vale avançou 4,01%, beneficiada pela valorização do dólar.
A forte reação dos investidores foi atribuída à reversão das expectativas eleitorais e às incertezas sobre os rumos da política econômica e fiscal brasileira. Parte do mercado havia se posicionado para uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno. Com a confirmação da reeleição de Lula, investidores passaram a reavaliar os riscos relacionados aos gastos públicos, à dívida federal e às perspectivas para os juros. O movimento também atingiu os títulos públicos e levou o Tesouro Nacional a adotar medidas diante da volatilidade. Agora, as atenções se voltam às sinalizações do governo sobre a condução da economia nos próximos anos.
