Veranópolis não aplicou vacinas vencidas contra a covid-19, afirma a Secretaria da Saúde
Em nota, poder público afirmou que "o setor de epidemiologia do município acompanha todos os prazos de validade das vacinas da Covid-19"
Após a divulgação da informação de que municípios do Rio Grande do Sul receberam e aplicaram doses vencidas da vacina Astrazeneca, a Secretaria de Saúde de Veranópolis divulgou uma nota de esclarecimento afirmando que o município não faz parte do grupo atingido por esse equívoco.
A Secretaria da Saúde de Veranópolis esclarece que todas as vacinas aplicadas no município foram feitas antes da data de vencimento. O setor de epidemiologia do município acompanha todos os prazos de validade das vacinas da Covid-19 e realiza, rigorosamente, a aplicação das doses conforme orientação do Ministério da Saúde – afirma a nota.
No Rio Grande do Sul, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, 877 das 313.630 doses de vacina da AstraZeneca/Oxford contra a Covid-19 foram aplicadas fora do prazo de validade em 75 municípios do RS.
O problema envolvendo o prazo de validade
O sistema de informações do Ministério da Saúde registrou cerca de 28.733 doses de vacinas da AstraZeneca contra a Covid-19 aplicadas no Brasil fora da data de validade. O problema, divulgado na sexta-feira (2) pela Folha de S.Paulo, foi investigado pelo EXTRA, que buscou no DataSUS, o banco de dados do Sistema Único de Saúde, inconsistências nos registros de uso de oito lotes de imunizantes já vencidos.
Os lotes das doses que teriam sido aplicadas fora da validade são 4120Z001 (válido até 29 de março de 2021), 4120Z004 (até 13 de abril de 2021), 4120Z005 (até 14 de abril de 2021), CTMAV501 (até 30 de abril de 2021), CTMAV505 (até 31 de maio de 2021), CTMAV506 (até 31 de maio de 2021), CTMAV520 (até 31 de maio de 2021) e 4120Z025 (até 4 de junho de 2021). Fabricante da vacina da AstraZeneca no Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) publicou nota em seu site afirmando que nenhum dos lotes suspeitos foi produzido na instituição. O Ministério da Saúde já distribuiu aos estados doses da AstraZeneca importadas prontas da Índia e outras enviadas pelo consórcio Covax Facility, da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Prefeituras de alguns dos municípios onde o problema teria ocorrido afirmam que houve um registro incorreto de dados, e não o uso de imunizante vencido. Se confirmados erros em todas essas instâncias, significa que 0,03% das aplicações de vacinas ocorreu com o produto com a validade vencida.
A base de dados do Plano Nacional de Imunizações (PNI) apresenta muitos registros com erros de preenchimento. Das mais 28 mil aplicações incorretas apontadas no sistema, por exemplo, cerca de 4 mil contêm números de lotes da AstraZeneca com a rubrica da CoronaVac. Há registro de 20 pessoas vacinadas antes de 2019, quando não se sabia da Covid-19 e, portanto, não havia imunizantes contra a doença.
Segundo as informações que estão no DataSUS, as doses expiradas teriam sido aplicadas em 2.905 postos de 1.655 cidades. A julgar pela porcentagem pequena do problema e por sua natureza fragmentada, os casos de uso indevido não parecem ter ocorrido por distribuição de vacinas vencidas e sim por elas terem expirado na ponta da cadeia de distribuição, ou seja, nos municípios, onde ocorre a aplicação. Os estados com mais registros de aplicação fora da validade são Paraná (4.150), São Paulo, (3.868), Pará (3.515), Minas Gerais (2.740) e Rio de Janeiro (2.718).
