O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), comunicou a aliados nesta sexta-feira, 20 de março, que formalizará sua renúncia ao cargo na próxima segunda-feira (23). A decisão é uma estratégia jurídica para evitar os efeitos de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), marcado para terça-feira (24), que pode torná-lo inelegível por oito anos. Ao deixar o posto antes de uma eventual condenação, Castro busca garantir a realização de uma eleição indireta pela Alerj e preservar sua viabilidade eleitoral para disputar uma vaga no Senado.

A renúncia ocorre em um cenário de intensa movimentação política, coincidindo com a saída de Eduardo Paes (PSD) da prefeitura da capital para concorrer ao governo estadual. O Palácio Guanabara será assumido interinamente por Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. No entanto, o plano de sucessão planejado por Castro sofreu um revés após decisão do ministro Luiz Fux, do STF, que impôs novas regras de desincompatibilização, inviabilizando candidatos que ocupavam cargos com poder de ordenação de despesas, como o ex-secretário Douglas Ruas.

Como parte da articulação de saída, o governador exonerou 11 secretários estaduais ainda nesta sexta-feira, visando o pleito de outubro. A crise política no estado se agravou após o rompimento entre Castro e Paes, motivado por operações policiais contra aliados do ex-prefeito. Sem favoritos claros devido à intervenção do Judiciário, os grupos políticos agora articulam nomes de consenso, como o do senador Carlos Portinho, para comandar o mandato tampão até o fim de 2026.