Humanidade pode ter chegado a apenas 1.280 indivíduos há 900 mil anos
Estudo genético aponta que uma crise prolongada reduziu drasticamente a população ancestral e deixou marcas na evolução humana
Uma forte redução populacional pode ter colocado os ancestrais humanos próximos do desaparecimento há cerca de 900 mil anos. De acordo com um estudo publicado na revista Science, restaram aproximadamente 1.280 indivíduos com capacidade reprodutiva durante o período mais severo da crise, estimativa obtida a partir da análise genética de populações atuais.
Os pesquisadores calculam que a população caiu cerca de 98% entre 930 mil e 813 mil anos atrás, permanecendo em níveis extremamente baixos por aproximadamente 117 mil anos. Mudanças climáticas intensas e secas prolongadas estão entre as possíveis causas desse chamado gargalo populacional, embora ainda não se saiba com precisão onde os grupos sobreviventes viviam.
A investigação reuniu dados genômicos de 10 populações africanas e 40 não africanas e empregou um modelo computacional para reconstruir oscilações demográficas antigas. Os cientistas avaliam que o período pode ter coincidido com a separação de linhagens humanas e com avanços como o domínio do fogo, mas ressaltam que novas pesquisas serão necessárias para esclarecer o impacto direto daquela crise sobre a evolução da espécie.
